ÁCNE JUVENIL OU POLIMORFA

Por Maria Rita Dias de Britto

O objetivo deste trabalho é traçar um paralelo entre a visão de autores consagrados em dermatologia e cosmetologia a respeito de uma afecção que afeta a maioria dos jovens. Estudaremos sua patologia, recursos estéticos e mitos. Para tratarmos de acne em cabine de estética, primeiramente devemos ter conhecimento de sua patologia, graus, localização e, principalmente, termos consciência de nossos limites, ou seja, quando termina o nosso e inicia-se o do médico. Outro fator muito importante é sabermos os tipos de acne que só deveremos tratar em parceria com médicos. O conhecimento de cosmetologia é muito importante nesse tipo de trabalho, ele nos dará direcionamento nos cuidados de cabine e manutenção em relação aos cosméticos a serem aplicados.

ÁCNE

Para Viglioglia & Rubin, 2005, trata-se de uma afecção da unidade pilossebácea resultante do bloqueio da secreção glandular e do processo inflamatório que se origina ao passar para a derme o conteúdo do canal folicular modificado “comedão”. Sua disposição acompanha o desenvolvimento embrionário das glândulas sebáceas; por esse motivo, sua localização preferencial é face e tronco.

Os autores supra citados referem-se ao sebo como secreção da glândula sebácea, constituindo o maior componente, cerca de 95% do manto lipídico superficial é um dos fatores agravantes e maior causador da afecção.

O restante dos lipídeos, “emulsificantes” se sintetizam na região mais profunda da epiderme durante o processo de queratinização. Seborréia ou ”fluxo de gordura“ é a hipersecreção das glândulas sebáceas.

Nos indivíduos geneticamente predispostos, submetidos a esforços permanente, a seborréia se instala na puberdade quando começa atuar as gonadotrofinas hipofisárias e a eleboração dos andrógenos.

Para os mesmos autores a glândula sebácea é o órgão preferido, (eleito) dos andrógenos (córtico adrenais, testiculares e ovarianos) que,  através da enzima 5 alfa redutase transforma a testosterona em dihidrotestosterona, (hormônio ativo) que estimula a produção e síntese protéica da célula sebácea. Relato confirmado por Kede Sabatovich, 2003, que a considera 3 (três vezes) mais ativa que a testosterona. Esta atividade enzimática exagerada na seborréia, estaria regida por hormônios hipofisários ( fator sebotrófico) somatrofina e prolactina”.

A seborréia acompanha certos processos neurológicos como, traumatismos, parkinsonismo, epilepsia, etc.. Tal alteração se deve a alteração de um centro regulador da secreção sebácea localizado no “piso do terceiro ventrículo”, (hipófise). Relatam ainda os referidos autores, que a substância L-Dopa utilizada no tratamento do parkisonismo provoca uma relativa redução da seborréia por mecanismo ainda desconhecido.

Sampaio Rivitti, 2001, confirmando as citações de viglioglia & Rubin, conclui que um dos mecanismos encontrados na acne vulgar ocorre pela ação periférica dos andrógenos, isto é, a uma resposta hipersecretória da glândula sebácea ao estímulo dos andrógenos, por estímulos genéticos ou constitucionais, assim foi denonstrado que a pele acnéica tem capacidade de transformar a testosterona em dihidrotestosterona, que é um hormônio ativo em taxa superior ao da pele normal.

A administração de altas doses de estrógeno pode diminuir a atividade das glândulas sebáceas. Os antiandrógenos, como a ciproterona,  que bloqueia os receptores andrógenos das glândulas sebáceas, melhoram consideravelmente a acne. A isotretinoína, droga eletiva para a cura da acne, tem ação direta sobre a glândula sebácea e a queratinização folicular.

Conclui o autor que,  para eclosão da acne, são fundamentais a hiperqueratose folicular e a secreção sebácea. Seborréia sem acne ocorre em adultos e na doença de parkinsom.

Segundo Viglioglia & Rubin, 2005, as áreas seborréicas localizam-se nas regiões centro facial, centro toráxica, deltóidea, inguinoperineogenital, perianal, auricular, retro-auricular e couro cabeludo, locais onde as glândulas sebáceas são mais abundantes e volumosas, e o tegumento exala um odor característico de ranso proveniente da oxidação dos ácidos graxos.

Na capa córnea das áreas seborréicas desenvolvem-se dois fungos leveduriformes, lipofílicos, difásicos (podem transformar-se da fase levedura à fase micelial ), o pityrosporum orbiculare e pityrosporum ovale. Atualmente admite-se que são idênticos; as formas redondas (orbiculares) e o ovale (oval) representam diferentes etapas do ciclo celular. Para desenvolver-se necessitam de ácidos graxos de cadeia mediana e comprida (longa).

A PATOGENIA DA ÁCNE

As primeiras modificações acontecem na região infra-infundibular, onde aumenta a espessura e a coesão do extrato córneo. Os corneócitos não descamam, e por superposição aderem ao canal folicular como um denso tampão queratinoso, constituído assim o micro-comedão. Este, uma vez formado, destaca-se a ação dos andrógenos que induzem a hiperplasia das glândulas sebáceas e a super produção do sebo. O folículo piloso aumenta de volume com um conteúdo que é uma mescla de sebo e escamas queratinosas que levam ao tamponamento da glândula sebácea e ao desenvolvimento de uma lesão quística  com paredes finas, o comedão.

A porliferação da flora normal é outro fator importante na patogenia da acne, o propionibacterium acnes, favorecido pelo meio anaeróbio e substrato lipídico, este microorganismo produz fatores quimiotáticos que atravassam as paredes do canal folicular e atraem até o interior dos mesmos os leucócitos e neutrófilos situados nos capilares dérmicos. Uma vez dentro, os neutrófilos ingerem o propionibacterium acne e liberam enzimas hidrolíticas que atacam as paredes foliculares e provocam a sua ruptura.

Na saída da derme de queratina, restos pilosos e lipídeos provenientes do comedom, vai provocar uma reação inflamatória do tipo corpo estranho. O P. acnes ativa o complemento e produz mais fatores quimiotáticos  adicionais que atraem mais leucócitos e exacebam a inflamação. Outro fator importante nesse processo é, a liberaçãoe de mais enzimas como a hialuronidase e protease pela bactéria P. acnes, que contribuem para a incrementação do processo patológico.

Os mesmos autores supra citados revelam que todos os tipos de acne caracterizam-se por um desenvolvimento bacteriano binário, duplo: um bacilo anaeróbiob (propionibacterium acnes) e os cócos aeróbios (Estafilocócos áureos) ou coagulase negativo, sobre os quais atuam os antibióticos com eficácia variável. A terapêutica antimicrobiana é aconselhável em discretos casos de acne sem complicações endócrinos-hormonais.

BACTÉRIAS

Sampaio Rivitti, 2001, revela de  que maneira as  bactérias participam na patogênese da acne:

Na porção profunda do folículo pilossebáceo, é encontrado, constante e abundantemente propionibacterium acnes, em menor número propioni granulosum e raramente o propioni parvum. Sendo assim, do propionibacterium acnes o papel fundamental no desenvolvimento da acne. Com a retenção sebácea esse microorgasnismo prolifera e hidroliza pelas esterases que possue, os triglicérides do sebum, liberando ácidos graxos que são irritantes para a parede folicular e induzem a queratinização desta.

A pressão do sebum acumulado pode romper o epitélio folicular e, os ácidos graxos e as proliferações dos microorganismos vão atuar na derme circunjacente. Inicia-se assim o processo inflamatório com a formação de anticorpos e participação de lifócitos, neutrófilos, macrófagos e lifoquínas. Na porção superficial do folículo, habitam Staphylocócos epidermis e outros microcócos que produzem lípases que irão contribuir para o agravamento do quadro.

Na superfície da pele e no orifício folicular, encontra-se freqüentemente a levedura Petyrosporum furfur (P. ovale, P. orbiculares e Malassezia furfur), que não tem nenhum papel patogênico na acne. Confirmando assim a teoria de Viglioglia & Rubin.

Para Fitzpatrick, 2005, a acne é uma doença autolimitada, vista primariamente em adolescentes envolvendo os folículos pilossebáceos. A maioria dos tipos de ácne é pleomórfica ou polimorfa (propriedade de apresentar-se de várias formas), apresentando lesões variadas que consiste em comedões, papulas, pústulas e nódulos e, como seqüelas de lesões ativas poderá apresentar cicatrizes hipertróficas ou atróficas. Embora classificada como doença da glândula sebácea, é na verdade um processo que envolve a unidade pilossebácea.

O referido autor, revela que paciente com acne tem glândulas sebáceas maiores e que produzem mais sebo que a população sem acne. A produção de sebo é ainda maior em pacientes com acne mais intensa: o sebo é comedogênico, causa inflamação quando injetado na pele, a acne ocorre no período neonatal, quando as glândilulas sebáceas são bem desenvolvidas, a acne aparece como parte do espéctro das alterações  puberais, quando ocorre o desenvolvimento das glândulas sebáceas  e a acne pode ser controlada por drogas como antiandrogênicos,  estrogênios e  retinóides orais, todos medicamentos que com função de inibir as glândulas sebáceas. O avanço da dermatologia e cosmetologia acontecem a cada dia com uma velocidade intensa, temos que pesquisar, ler muito, pois fatores, artigos e ativos importantes acontecem a todo o momento.

A maioria dos estudos falhou ao tentar detectar alterações na composição do sebo em pacientes com acne em comparação àqueles sem acne numa mesma faixa etária. No entanto, há uma diminuição significativa nos níveis de ácido linoléico nos portadores de acne. Observamos também que esses pacientes apresentam uma relação inversa entre secreção do sebo e a concentração de  ácido linoleico no sebo. O ácido linoléico não pode ser sintetizado em tecidos de mamíferos, assim sendo, a concentração dessa substância no sebo humano, depende da concentração de ácido graxo essencial, com a qual cada célula é dotada e, a extensão em que esse dote inicial é diluído pela síntese subseqüente de lipídeos endógenos nas células sebáceas, conclui assim o autor.

TENSÃO EMOCIONAL, CICLO MENSTRUAL, ALIMENTOS E DROGAS

Fatores emocionais poderiam atuar como agravantes da acne, isto aconteceria  pela ação do córtex cerebral sobre o sistema neuroendócrino. No período menstrual,  pode ocorrer também um agravamento da acne. Com relação aos alimentos, existe um conceito entre leigos de que alguns alimentos agravariam a acne, por exemplo: chocolate e alimentos gordurosos. A influencia dos alimentos no agravamento da acne é raramente observada. Sampaio Rivitti, 2001.

Para Kede Sabatowich, 2004, fatores emocionais podem influenciar no agravamento da acne em alguns pacientes. Presume-se que o mecanismo seja a produção aumentada de andrógenos adrenais na fase de estresse, levando ao aumento da seborréia pela ação do córtex cerebral sobre o sistema nervoso endócrino. Nos casos especiais, geralmente o médico sugere acompanhamento psicoterápico como coadjunvante na terapia.

Com relação a dieta de exclusão de certos alimentos, não existe comprovação que estes influenciam na piora do quadro da acne.

Para Fitzpatrick, 2005, com relação a dieta, atualmente existe pouco entusiasmo com relação a eliminação de vários alimentos como, mariscos, chocolates, doces, leites e comidas gordurosas na dieta de pacientes com acne. Não há qualquer evidência que sustente o valor da eliminação destes alimentos, embora alguns pacientes alegam exacerbação da doença após a ingestão de tais alimentos, isto é, principalmente ao chocolate. Como os pacientes acreditam em suas experiências, o melhor é restringir os alimentos da dieta.

Para Viglioglia & Rubin 2005, o curso evolutivo da acne é variável, nele se alteram agravamentos, explicáveis ou não, como melhoras espontânea, principalmente com momentos de estresse (provas escolares), com períodos menstruais e mais raramente com  ovulação e com mudanças alimentares. As melhoras são observadas em épocas de tranqüilidade, férias e regime para emagrecer só por dieta. Entretanto, na maioria dos casos,  as erupções são constantes, sem altos e baixos, dando a impressão de permanente e não podendo relacionar-se com nenhum dos fatores desencadeantes mencionados.

Para melhor desenvolvimento dos cuidados estéticos da acne em cabine de estética, oferecemos em nossa relação de cursos em DVDs, um material específico onde abordamos de maneira clara e objetiva, o passo a passo do tratamento em cabine dessa afecção que afeta uma grande maioria de jovens de nossa sociedade. Esse DVD vai acompanhado de um CD manual com estudo profundo sobre acne e  com muitas ilustrações.

 

 

 
Designer Milton Andrade